Mostrando postagens com marcador Dhaka. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Dhaka. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

pra mostrar que vale a pena... ou porque fazer um intercambio?

Escrevi esse post para o blog da AIESEC Curitiba para contar sobre meu intercambio, sobre o porque de fazer um intercambio, quando por medo ou por dúvida nao se tem a certeza se vale a pena. Minha resposta: VALE A PENA! O texto talvez ajude a explicar.

Escrever sobre minha experiência nem sempre foi fácil. Diferentes sentimentos, mas me faltam palavras, muitas vezes.. E estou pensando desde algum tempo por onde eu deveria começar a contar... E eu nao consigo começar! Deveria contar sobre os países que estive, os lugares que estive, as pessoas que conheci.

As pessoas que conheci deveriam ser listadas uma a uma. Com longas descrições de como elas foram importantes. Cada uma, em especial. Uma experiência rica em pessoas com certeza, essa é a minha experiência.

Descrever a vida social e a imensa e enriquecedora possibilidade de fazer amigos pelo mundo todo. Vestir saree em um casamento muçulmano em Bangladesh e as ter mais atenção que a noiva ou ir a uma festa num clube Alemão com amigos colombianos. Cruzar a imigração na Inglaterra afirmando, que “sim”, eu tenho amigos que moram em Londres e em Singapura.

Mas eu não poderia deixar de contar sobre os lugares que visitei, sobre aquilo que eu vi. Sobre TUDO aquilo que eu vi.  Eu atualmente estou na Dinamarca, realizando meu segundo intercâmbio pela AIESEC e desde que sai do Brasil em dezembro do ano passado para meu intercâmbio em Bangladesh e eu ja estive em outros 10 países. Os lugares que estive teriam longas descrições, especialmente sobre cores. E com certeza, o azul do céu seria um capítulo especial. Tenha certeza que o céu da Tailandia é diferente do céu na Espanha.

Mais importante ainda seria poder falar sobre todas as diferencas culturais, suaves ou chocantes. Comer com as mãos na Índia depois de um tempo te faz pensar “pra que garfos mesmo?” depois de o apimentado asiático já nao se torna impossível e como comer feijoada em Portugal te faz sentir no Brasil.

Posso contar as vezes que disse tchau e chorei antes de partir ou que chorei ao ver alguém partir. Dizer tchau não é facil. Mas ainda acredito que seria melhor em contar como é bom reencontrar e manter contato. “See you soon” é sempre a melhor resposta para qualquer despedida. É a que encoraja a seguir em frente, cruzando com outras pessoas e mantendo esse ciclo viciante que é conhecer pessoas.

Descrever todas as dificuldades. E contar todas as vezes que eu quis voltar. Que eu apenas queria voltar. Que eu não aguentava mais. Que eu queria chorar e queria minha mãe. Porque às vezes não é facil... Porque eu acredito, que não existe lugar perfeito, todo lugar tem suas coisas boas e ruins. Existem dias melhores que outros. Existem noites mal-dormidas porque a saudades aperta. Mas é sempre como você faz a sua própria experiência e como superar.

10 meses não se resumem em uma lista de 10 melhores ou piores momentos. Foi difícil, da mesma maneira que foi incrível. A experiência vale a pena exatamente por isso. Quando te faltam palavras para contar e 4.635 fotos pra mostrar em cores, eu preciso repetir que são muitas cores.

terça-feira, 27 de abril de 2010

26 anos em 26 abril.



O meu aniversário em 2010 foi comemorado em um restaurante mexicano em Bangladesh, com um jantar entre meus amigos da Colombia (Jorge e Mafer), Itália (Alex), Alemanha (Philipp), USA (Melissa), Servia (Diana), Venezuela (Jorge) e claro, Bangladesh (Saad, Raju, Sabih, Mehedi e Russel).

Apesar da saudades do Brasil e da vontade de dizer: “Mãe, vem me buscar!” meu dia-noite-aniversário foi muito divertido!

Obrigada pessoal daqui pela festa!
Obrigada pessoal do Brasil pelos recadinhos, emails e telefonemas!
Foi, podem ter certeza, memorável! :)

domingo, 11 de abril de 2010

em bengali.


E a minha fluencia bengali melhora a cada dia. NOT!
Teclado em Bengali.
Seda em Bengali.
"Proibido estacionar" (talvez?) em bengali.
E o que nao se pode fazer, em bengali.
(e em ingles, para esses estrangeiros doidos.)

terça-feira, 6 de abril de 2010

15 passos em Dhaka

A COMIDA.
1. Nos restaurantes, a comida nunca vem “toda-junta”. Exemplo, se vamos em 3 pessoas, eles trazem o que esta pronto, e as vezes, quando uma pessoa termina de comer, o pedido da outra nem chegou. Além de comerem muito rapido, o garçom traz a conta logo apos trazer a comida. Sempre sinto que eles estão me expusando do lugar!
2. A comida é apimentada. E quando peço por comida não apimentada, é a mesma coisa que apimentada. O que acontece, é que sem pimenta pra eles não é comida. Bangladesh não tem saladas frescas, a alimentação é baseada em arroz. Muito arroz e pimenta!
3. Quando sai do Brasil, disse a mim mesma que nunca comeria com as mãos. Ainda uso garfo e faça, mas as vezes são tão desnecesarios…

AH, O AMOR.

4. Não se ve casais (homem e mulher) de mãos-dadas nas ruas. O que se ve são homens de mãos dadas, fazendo “carinho” uns nos outros e muitas vezes com os braços envolta da cintura ou do pescoço, um chamego…
5. Ainda existem casamentos arranjados e entre primos é permitido casar, mas não entre irmãos. Mas também existem os casamentos por amor!

A RELIGIÃO.

6. A religiao muçulmana ainda é pra mim, muito dificil de aceitar/conviver. Lembro da minha primeira impressão nas ruas, é de que não havia mulheres caminhando! A mulher aqui tem uma função diferente na instituição da família. O time criativo da agencia que trabalho é de 22 pessoas. E eu sou a unica mulher. Homens e mulheres não dividem o mesmo espaço dentro das mesquitas, e aqui em Dhaka, não é toda mesquita que possui uma sala para mulheres. As vezes, a religiao islã me parece uma religião para homens e confesso que isso me incomoda. Além disso, mulheres estrangeiras, as vezes, não tem o mesmo “respeito” que mulheres daqui. Quando conversei com meus amigos Bengalis sobre o assunto, o que eles me dizem, é que as pessoas tem uma visão digamos, equivocada das mulheres ocidentais, porque os filmes mostram o ocidente como um lugar facil de se ter sexo. (basicamente!) Quando ando nas ruas, as vezes, sinto “olhares” para cima de mim, e como meu bengla não é muito fluente, eu não entendo o que os homens falam. Melhor não entender. Melhor ainda colocar os oculos escuros e seguir em frente.

O CLIMA.

7. A temperature media por aqui agora, é 38 graus. E isso é apenas a primavera… Aqui existem 6 estações no ano. Uma delas é “monções”, que é quando comeca a chover. Quando comecar a chover, talvez, precise de um barco pra voltar para casa, porque as ruas alagam mesmo.

A CIDADE.

8. A pobreza é MUITA. E isso eu ainda não consigo me acostumar. “Pele Branca” aqui, significa que voce é um estrangeiro-rico. Os pedintes me seguem. E podem seguir-lo por mais de 15 minutos. Ontem, num rickshaw, uma criança, de uns 2 anos, correu descalça, ao lado do meu rickshaw por uma distancia grande. Eu não sei quanto em metros, mas garanto que foi uma boa pernada. E para que? Para conseguir atenção e ganhar 5 takas. Outro dia, saindo de uma restaurant, mais ou menos 10 crianças vieram até mim, e seguraram minhas mãos! Gritando “madan, money!” “madan, money!” “madan, money!” meu amigo deu 20 takas e assim elas soltaram minhas mãos.
9. Nunca vi tantas pessoas com lepra nas ruas como aqui.
10. A cidade é suja.
11. Sempre pago mais por rickshaw ou CNG. E se estou com meus amigos Bengalis, os rickshaws pedem mais porque estou ali.
12. Bangladesh não produz energia necessaria para alimentar a cidade. Temos cortes de energia diários, 3 ou 4 vezes por dia. É como um racionamento mesmo, dura entre 1 ou 2 horas. O de ontem, durou 2 horas e eu cozinhei no escuro! Aliás, posso tomar banho, cozinhar e me maquiar sob a luz de velas! E estou ficando boa nisso!

AS PESSOAS.

13. Tenho bons amigos.
Na agencia, o Sabih, ex-AIESECo, é quem sempre me ajuda em tudo que preciso. E a Ayesha, que estudou na Malásia, viajou muito, fala muito bem ingles, é muçulmana e usa veu para cobrir a cabeça. (Ela não usa burca, porque seu rosto sempre esta visivel.)
Shezad, meu chefe. Dificil dizer se ele é meu amigo ou não… mas sei que ele gosta de mim! Ele é muito professional e gusto da maneira que ele lidera os criativos da agencia. Além de que, ele é sempre super acessivel. Se preciso de algo, posso ir a sala dele que ele sempre me dará uma resposta! E além disso, ele sempre se mostra preocupado comigo e com o meu visto!
Na trainee-house. Adoro minhas flatmates! Somos 4 meninas agora. Diana da Servia, (mas que mora na Holanda ha 10 anos), Melissa, dos USA e a Rikae do Japão. Adoro, adoro mesmo elas. Cada uma com suas peculiaridades. Mas acredito que até mesmo eu estou mais flexivel… Eu que sempre tive irmão mais novo em casa, agora tenho uma ideia de como seria ter 3 irmas e dividir tudo! Além do Jorge, o trainee colombiano que não mora com a gente, mas esta sempre lá em casa! Adoro, adoro também! E a Mafer, ex-trainee da AIESEC, que esta aqui a 4 anos já… Qualquer coisa, mas qualquer coisa mesmo que eu precise, e só ligar para ela… Ela foi trainee e sabe como as vezes, as coisas são dificies ou faceis de compartilhar.
Martha, da Colombia e a Judith da Alemanha, minhas flatmates que já não estão mais Dhaka, porque o intercâmbio delas acabou. A Judith é mais que especial. Dividiu quarto e coração comigo! E a Martha, que sempre me entendeu o quão dificil, as vezes, é ser latino em Bangladesh. Com certeza, elas fizeram esses meus 3 meses por aqui, especiais.
No Grupo Latino. Sei que são boas pessoas, e estão sempre dispostas a ajudar os trainees!
Saad, Raju, Adeel e Sana, que são meus amigos Bengali. Mesmo o Adeel sendo do Paquistão. Eles sempre se preocupam com a pimenta da minha comida! :)

O TRABALHO.
14. Eu gusto MUITO do meu estágio! A Ogilvy & Mather é uma agencia internacional, fundada em 1948 que opera em 497 escritorios em 125 paises, e são +/- 16.000 empregados. No Brasil, são 4 escritorios: Rio, São Paulo, Porto Alegre e Brasilia. Eu gosto das pessoas e do ambiente de trabalho. Sou trainee, mas faço o que qualquer designer faz… participo de brainstorming (mais em bangla que en ingles!), tenho meus projetos e todo projeto tem um pouco de desafio! Estou adorando o ambiente criativo da propaganda! Claro, trabalho muito. Sou a trainee que sai antes de casa e a ultima a voltar. Mas sou a trainee com o maior salário! ;)



A VIDA.

15. Depois de pouco mais de 3 meses e um comeco de intercâmbio “conturbado”, eu ainda sinto saudades do Brasil, mas estranhamente, eu gosto de Bangladesh.

ps: mãe, feliz aniversário! AMO VOCE! :)

segunda-feira, 8 de março de 2010

Dhaka informa:

Primeiro, as boas notícias:
Quando a AIESC diz: “It is up to u!”, é  verdade! Faz mais de 2 meses que estou morando em Bangladesh e depois de um inicio dificil, as coisas comecam a trilhar o caminho que devem ser.  A BBDO, a agência  que inicialmente vim para realizar meu intercâmbio, não correspondeu as minhas expectativas. A BBDO no Brasil é uma das melhores, senão a mais importante agência  de propaganda do país, aqui em Dhaka, a franquia é apenas uma empresa local, que durante o meu primeiro mês,  se mostrou uma empresa sem processos definidos, pouca demanda, com falta de infra-estrutura para receber um trainee.  Então, resolvi desistir do meu intercâmbio e fazer alguma coisa para minha AIESEC EXPERIENCE valer a pena!

Consegui dois contatos em duas agências importantes daqui. A GREY e a OGILVY. Mandei 2 emails, e a Ogilvy me respondeu! Marquei uma entrevista com a socia-diretora da Ogilvy, e depois de eu explicar o porque uma brasileira está em Bangladesh, ela me disse que conhecia a AIESEC porque um dos seus atuais empregados é um ex-AIESECer! Bendito seja o networking, existem AIESECos no mundo todo! Ela me disse que gostou do meu portfolio e que respondeu meu email porque não é comum receber um email com o assunto:
“Brazilian Designer”.  Então, a Fahima, disse que se eu não pudesse trabalhar na Ogilvy, ela consegueria outro estágio pra mim...

Saí da ag
ência com MUITAS expectativas e uma vibracão boa! Esperava o melhor! E o melhor veio na hora seguinte: o alumni da AIESEC me ligou dizendo que eu poderia trabalhar lá e que poderia ser pela AIESEC o novo intercâmbio! Perfeito! O Sabih, que foi presidente da AIESEC aqui em Dhaka há 3 anos atrás, me contou que há alguns meses, eles haviam conversado sobre a possibilidade de abrir um intercâmbio pela AIESEC e eis que eu “apareci” na agência!
Depois de resolver meu visto e estender a validade por mais 1 mês e comecar o processo para mudar o visto de turista para de estudante/pesquisador, comecei na Ogilvy semana passada! E essa é a AIESEC Experience que eu esperava!

A agência tem uma infra-estrutura muito boa e o segundo andar é uma sala apenas para o time criativo! São 3 times: um time trabalha em parceria com a Ogilvy Singapura, outro trabalha apenas com a BHT -
British American Tobacco  - e outro time é responsavel pelas contas das empresas locais. Eu faço parte desse último time e estou adorando! Meu novo chefe me parece aqueles criativos doidos, que só de olhar dá pra saber que ele está pensando em alguma coisa diferente! Ele começu a carreira na California, USA, e agora está em Bangladesh. A Ogilvy aqui tem processos definidos, vários Macintosh para os designers e uma “salinha do descanso” com biblioteca. Além de uma máquina de café! Que não tem o mesmo gosto do café brasileiro... mas é café e tá valendo! Esse intercâmbio é para os proximos 6 meses com possível prorrogação de mais 6 meses, mas ainda é cedo para dizer o que irá acontecer... por enquanto, estou aproveitando MUITO essa oportunidade!

Depois, a notícia ruim:
Fui assaltada. (Sim Jo, você me disse para ter cuidado!) Estava voltando de rickshaw com a Martha, trainee da Colombia, depois de ter encontrado a Yudith (trainee da Alemanha) e a Sana e o Saad (amigos Bengali) para jantar. Mais ou menos 10 metros de um posto policial, um carro chegou muito próximo do rickshaw, um homem projetando o corpo pra fora pela janela agarrou minha bolsa sem muitas dificuldades. Foi MUITO rápido! Dentro da bolsa, minha carteira com um pouco de dinheiro, meu celular, meus óculos de lentes e escuro e minha agenda do pequeno príncipe.

E o que mais me dói, é que eu carrego TUDO na minha agenda, e era meu diário nesses últimos 2 meses... além de carregar comigo a carta que minha m
ãe me escreveu "Meu pensamento e meu coração, estão com você sempre!". Estou bem, nada me aconteceu e meu passaporte e outros documentos estão em casa. Na carteira, além do dinheiro, apenas a cópia da minha identidade, nenhum documento importante. O que me entristece mais, é perder aquilo que tem menos valor material... 

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

O primeiro rickshaw a gente nunca esquece...


O transito em Bangladesh é caótico, como na Índia. Talvez a diferença entre aqui e a Índia, é que aqui as ruas são mais estreitas que no país vizinho. Mas os congestionamentos são constantes. E quando eu digo constante, eu quero dizer toda hora! Dhaka vive num congestionamento que nunca vai acabar... Bangladesh como Índia dirigem em mão inglesa, o que faz com que eu sempre olhe para os ambos lados antes de atravessar a rua, porque eu sinto que nunca sei em que lado da rua estou! Além disso, aqui, menos que em Delhi, as pessoas buzinam, buzinam e buzinam. No Brasil, a gente da aquela "buzinadinha" quando quer chamar alguém, no inicio eu achava que toda Dhaka queria me avisar algo! Hoje, acho que nem me movo se alguém buzina...

Um dia comum no transito em Dhaka!

Se no Brasil existem os carros populares 1.0, (saudades do meu corsinha!) aqui essa linha não é comum. A maioria das pessoas que podem ter um carro, tem carros de luxo e com motorista e quem não tem ou é trainee usa os rickshaw e os CNGs para se locomover pela cidade!

Essa é a maneira mais fácil e barata de se locomover por aqui: moro em Baridhara DOHS e para ir até Gulshan 2 Circle, demora +/- 15 minutos, sem congestionamento de rickshaws, que também acontecem, e custa 20 takas. Óbvio, que o "motorista" sempre pede mais, mas como os trainees sabem o preço "real", as vezes é preciso ser mal-educada, deixar o dinheiro no banco e sair andando, porque sempre SEMPRE eles pedem mais takas: "Madam, madam, NOOOOOO! More!"

O primeiro rickshaw a gente nunca esquece... mas agora, eu já perdi as contas!

Quando preciso de CNG, que sai contornando todos os carros e rickshaws, que sempre acho a maior aventura e que com certeza é o mais barulhento, (é como andar com o buggy do meu primo!) para ir até Gulshan 1 custa 80 takas. Normalmente, os motoristas pedem 100 ou 120 takas, ai é preciso barganhar até os 80, mas já teve uma vez, que um motorista pediu 3.000 takas. "THREE THOUSAND!" ele disse, mas ainda acho que ele confundiu "thousand" e "hundred"...

Aqui em Bangladesh são os CNGs, na Índia eu escutava mais pelo nome de Auto-Rickshaws!

O que as vezes é bem difícil porque os motoristas não falam inglês, e também as vezes não sabemos aonde fica exatamente o lugar que queremos ir. Agora junta alguém que não sabe onde esta com alguém que não entende para onde eu quero ir! Agora eu tenho uma ideia, (vaga, bem vaga) dos lugares em Dhaka e quando preciso ir para Banani, Gulshan 1 e 2, que sao os bairros próximos, eu sei como... mas ainda é bem pouco se for comparar com o tamanho que é Dhaka! O que eu sei falar em bangla, a língua local, é basicamente o que eu preciso dizer para o rickshaw:
dãne = vire a direita.
pãme = vire a esquerda.
êkane = aqui!
xôja = em frente.

Confesso que há 2 dias o pessoal do escritório tenta me ensinar "tudo bem?", "tudo bem!" e "tudo mal!", mas é impossível eu lembrar disso agora! Mas com o meu vocabulário-guie-seu-rickshaw por enquanto estou me virando... quem sabe daqui 6 meses, eu entenda o que acontece durante as sessões de brainstorming na agência!

domingo, 21 de fevereiro de 2010

+ fotos!

Fotos de outra festa de casamento:
http://picasaweb.google.com/rafaelagro/GayeHolud2?authkey=Gv1sRgCMjn2-eM6ZW9jAE#


Na entrada da festa...

Essa foto em especial, eu acho o maximo! Na foto estamos no palco, onde ficaram os noivos recebendo os cumprimentos dos convidados, da esquerda para a direita: Bastian, Shafi, eu, Rene e o Jorge, e as tres figuras em pe, eram como os "recepcionistas" da festa!

A sobremesa...

Olha com atenção, a gente tá no telão! :)

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Notícia do Dia!

Quando eu digo que sou celebridade em Dhaka... 
http://www.thedailystar.net/newDesign/news-details.php?nid=126171

A woman walks past an Archies Gallery outlet, decorated with Valentine's Day theme, in Dhaka yesterday. Sales in city gift shops perked up on the eve of the day.
Photo: Shafiqul Alam

sábado, 30 de janeiro de 2010

sobre drogas & rock'n roll.

Apresentando mais um episódio-diálogo interessantes do meu dia-a-dia, essa foi a minha conversa, com o redator da agência:

Colega: Você bebe Rafa?
Rafa: Sim, quando vou a uma festa, estou com meus amigos…
Colega: Hum, ok. Mas beber nesse pais é ilegal.
Rafa: HUM, OKEY!
Rafa: (em pensamento) Para você, não para mim!

Não se encontra bebidas alcoolicas para vender no mercado, afinal, muçulmanos não bebem, não tem habitos viciosos, pois acreditam que esse comportamento so trás o mal. “Tudo o que intoxica seja pouco ou muito é Harám (proibido), pois o pouco leva a pessoa para o muito e assim se vai viciando. Longe de mim querer “acusar” o povo Bengali de hipocrisia, mas a conversa que se seguiu com meu colega de trabalho foi: “É, mas eu bebo as vezes…”. Também acredito fielmente que existam muçulmanos que não bebem, e que seguem as leis islã a risca e acreditam no ideal. E eu respeito isso! O que acredito, é na influência do Ocidente sobre a Ásia e seus hábitos. Por mais que Bangladesh seja um país muçulmano, recebe informações dos costumes do outro lado do mundo. O que acontece ainda, no meu ponto de vista, é que o islã tem padrões tão fixos e rígidos a seguir, que acaba por incitar os muçulmanos, principalmente os jovens, a descobrir e querer experimentar esse lado “proibido”.

Aos estrangeiros é permitido o consume de bebidas alcoolicas. Existem lojas específicas para que estrangeiros possam comprar bebidas, apresentando o passaporte. O que aconteceu com nós, trainees, é que moramos em um apartamento alugado, que o dono mora no segundo andar e nós no quarto. Numa reunião com a AIESEC para tratar de assuntos relacionamentos a Trainee House, o senhor que é dono do apartamento, nos acusou de no último mês, fazermos uma festa com bebidas alcoolicas e convidar amigos Bengali para beber aqui. E o povo Bengali não pode beber! Ou seja, nosso apartamento, seria como um refúgio alcoolico!!! (Não, não fizemos festa nenhuma! Não mãe, minha casa não é um balada ilegal refúgio alcoolico bangla). O que eu quero tratar com esse fato, é que para mim, tamanha preocupação com os jovens Bengali e sua relação com a bebida, acaba por incentivar o hábito!

Eu, seguramente, posso estar errada. Mas sempre acreditei que pode existir um equilíbrio. Proibir, como é aqui, talvez seja uma solução de evitar esse desequilíbrio entre “diversão” ao beber vinho com seus amigos ou se tornar um alcoolatra.

Balada por aqui? Nem pensar. Acho que não existe. Na verdade, não sei, nunca vi e nao ouvi falar. As festa que sei que existem por aqui, é quando os estrangeiros se reunem em alguns clube. Quinta-feira passada, teve uma festa no Clube Alemão. A frequência dessas festas varia, talvez 1 a cada 10 dias… (?) realmente não sei. Mas balada/barzinho/festa que nem no Brasil, definitivamente, não tem! Woods, I miss u. 

OKEY, eles não bebem, mas fumam. E como fumam! Não fumo e não tenho idéia de quantos cigarros por dia é a média diária por aqui, mas deve ser alta. E fumam em qualquer lugar, ambientes fechado, inclusive. Entre os trainees, pelo menos, ninguém tem o hábito diário de fumar.

Seguindo com série “Perguntas Bengali Bizarras”, esse foi o diálogo com meu chefe dias atrás, durante uma reunião (numa sala fechada):

Chefe: Se importa se eu fumar Rafa?
Rafa: Eu prefiro que não, pois estamos num ambiente fechado.
Chefe: Todo mundo em Propaganda fuma, você precisa se acostumar!
Rafa: (em pensamento) Porque é que pergunta oh criatura?

E meu chefe acendeu um cigarro, numa sala fechada, com mais 5 pessoas e continuou a reunião…

sábado, 16 de janeiro de 2010

meu BRASIL brasileiro!


Essa eh o meu quarto novo, no dia que nos mudamos! Moro em Baridhara DOHS, que eh um bairro militar, que tem apenas 2 portoes de entrada. Eh seguro. Mudamos apenas de andar, nao de predio. Antes estavamos numa quitiniete no terraco, e agora mudamos para um apartamento no quarto andar. Eh maior, e esta habitavel, muito diferente do anterior... Sem elevador. Mas ainda bem que isso eu jah estava acostumada no Brasil.
Nesse dia, fui dormir as 3h da manha, exausta, depois de limpar, limpar, limpar... O quarto divido apenas com a Yudith e o banheiro do quarto, divido com a Yudith e com o Bastian, o outro alemao. No outro quarto, a Laura e a Marta irao dividir um quarto maior com a nova trainee, a Mita, da India, que chegou quinta! Agora, somos 6 e assim, fica 3 para cada lado!
Mudar mudou meu dia e me senti melhor. Me deu ate um animo! Deu ateh para pensar que as coisas podem melhorar... Como estamos sem cortinas, porque mandamos para a lavanderia, pendurei a minha canga-bandeira! E como nunca antes, senti um orgulho GIGANTE de ser brasileira. Ateh a Yudith disse como nossa bandeira eh linda! Muito, muito orgulho. Eu mesma, depois de pendurar, fiquei olhando... Uma sensacao que nunca tinha sentido, como uma comtemplacao.

E no meio da bangunca da mudanca, quando arrumavamos a sala, encontramos uma canga-bandeira igual a minha! Ou seja, eh provavel que Bangladesh jah recebeu um trainee brasileiro... Antes de eu ir, o pessoal da AIESEC tentou a todo custo saber se alguem jah tinha estado por essas terras, mas nada... Pois bem, acho que alguem jah veio! Nao sou a primeira trainee brasileira por aqui! Mas meu orgulho de ser brasileira, eh maior do que nunca!

Um historia para contar, eh que quando cheguei aqui, dia 31 de dezembro, o cara que me atendeu no aeroporto, na imigracao, alem de me perguntar sobre o Maradona, cantarolou "Aquarela do Brasil"! Pois eh, esse Brasil lindo e trigueiro. É o meu Brasil brasileiro. Terra de samba e pandeiro. Brasil! Pra mim, pra mim! Brasil! Brasil! Pra mim, Brasil!, Brasil!

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

primeiras impressoes.

Sinto muitas saudades do Brasil.
Eh uma saudade tao grande, daquelas que nunca imaginei mesmo sentir… Em todos os graficos comportamentais sobre intercambio mostram que existe uma fase muito dificil, que a saudade eh grande… mas que depois passa. Com a noticia sobre o falecimento do meu pai, acho que minha saudade ficou mais forte. Queria muito um abraco da minha mae, do meu irmao, da minha familia, dos meus amigos…
Pensei em voltar.
Pensei em voltar, porque parece que essa saudade que sinto, essa dor que as vezes vem, nunca vai passar. Mas tambem sei que voltar nao muda nada sobre o que aconteceu, aliviaria esse aperto no meu peito, esse choro que as vezes demoara para passar, mas nao mudaria o passado.
Alem disso, meu comeco aqui em Daka foi dificil. A casa dos trainees aqui eh uma quitinete no terraco, que quando eu cheguei estava tao imundo, que me deu panico. Passei dia 1 e 2 de janeiro limpando banheiro, cozinha, banheiro…
Divido apartamento com outras 4 pessoas: a Marta, da Colombia, o Bastian da Alemanha, a Yudith tambem da Alemanha (com quem eu divido meu quarto!) e a Laura do Canada. E entre tantas culturas juntas, normal seria que o senso de limpeza e organizacao nao fosse comum. Cada um tem seus parametros e habitos higienicos, e isso esta sendo bem dificil para mim. (Nao so hem casa, mas no trabalho.) Mas hoje, finalmente, nos mudamos para um outro apartamento, saimos do terraco e fomos para o quarto andar. O apartamento eh maior, e esta limpo. Ainda nao nos acertamos sobre limpar a casa… Eu preferia ter uma pessoa morando com a gente para limpar o tempo todo, mas nem todos concordam com isso. Outros acreditam que podem limpar sozinhos, outros nao querem um desconhecido em casa. Espero que isso se resolva logo! Eu sempre tive uma casa limpa, talvez mais gracas a minha mae que a mim propriemamente e hoje dou mais valor que jah dava.
O apartamento nao tem espaco para lavar roupa, (nao sei como sao as outras casas…) entao mandei lavar duas blusas, para testar a lavanderia proxima de casa. A minha blusa basica branca nova da Hering, voltou bege. A agua aqui eh diferente, mas alem disso, o ar eh muito sujo, entao, na hora de colocar no varal, acho que a suja a roupa limpa. Ainda nao sei o que fazer com as minhas roupas brancas… Alem disso, minha bolsa nova, tambem da Hering, que eu ganhei da minha prima Paula no Natal esta encardida. Faz 22 dias que sai do Brasil, passei pela India e cheguei em Bangladesh, mas eh como se eu tivesse usado ela a 5 anos! A alca, que eh de como o tecido cru, esta imunda. Tambem acho que deve ser por causa do ar, e do senso de limpeza diferenciado que encontrei por aqui…
Tanto em Bangladesh como na India, as pessoas comem com as maos, e se antes eu jah achava super importante lavar as maos antes das refeicoes, hoje acho essencial para viver! Lavo as maos varias vezes ao dia, nao apenas antes das refeicoes. E nao eh exagero, nao para mim. Para meus colegas de trabalho, deve ser.
Outra coisa que me percebi aqui, eh que as pessoas nao mantem muito respeito sobre as coisas particulares. A Mari, na India tinha me ditto isso jah, mas aqui pude comprovar. Nos primeiros dias na agencia, todo munda vinha ateh minha mesa, e mexia no meu computador, sem perguntar, sem nada. Soh para me mostrar alguma coisa, ou sei lah o que. Mas simplesmente tirava o mouse da minha mao, e mexia. Alem tambem de querer mexer no meu celular, alem de as vezes alguem parar do meu lado e ficar observando o que estou fazendo. Isso me irritou muito no inicio! Parece que eles nao tem um computador ou uma mesa fixa, cada vez que olho em volta, os 6 caras com quem eu divido sala (e que sei o nome apenas de 3 ateh agora) mudam de lugar, como um rodizio desordenado! E eu tenho um jeito “meu” digamos, de ordenar meus icones na area de trabalho, e um dia, um dos meninos que trabalha comigo, mudou os icones no desktop! Depois disso, nao deixei mais. Quando eles vinham para tirar minha mao do mouse, ou querer fazer seja lah o que fosse, eu nao deixava. Agora, acho que diminuiu um pouco, mas ainda nao relaxei. Vou colocar senha no meu login do PC, apenas preciso me lembrar como faz isso.
Uma coisa que eu vou precisar tolerar aqui, e que esta sendo dificil eh o senso de conforto no tranalho. Eu divido uma sala pequena, com mais 6 meninos, como disse. Nao tem janela, apenas aquelas vitrais (sabem?) e no meu primeiro dia de trabalho eu fiquei doente. Aqui faz frio agora, mas a sala eh muito abafada, entao a variacao de temperature me deixou com dor de garganta e uma tosse que ainda nao passou.
A lingua offcial aqui eh bangla, e sao poucas as pessoas que falam ingles. Aqui mesmo no escritorio. Entao, boa parte do tempo, eles falam em bangla e eu nao entendo nada. Eles precisam se esforcar para falar ingles comigo, mas muitas vezes mais por medo e timidez em errar, eles nao falam. Devido a isso, que eu apenas converso com 3 das 6 pessoas na minha sala.
Outra coisa que observei, eh que as pessoas aqui sao aficionadas por facebook. Eh o orkut brasileiro, mas aqui a paixao eh maior. Em Bangladesh, nao existe classe media, e o que eu percebi ateh agora entao, eh que as pessoas nao se importam em trabalhar 6 dias por semana ateh tarde, porque elas nao tem o que fazer no tempo livre. Talvez pelo fato de serem pobres, e por acreditarem que sem dinheiro nao dah pra se diverter ou por nao saberem como se diverter, elas trabalham, e no dia de folga, apenas dormem. Par que no dia seguinte possam ir pro trabalho acessar o facebook.
Alem disso, as pessoas gritam muito e discutem. Como eh em bangla, eu nao tenho ideia sobre o que seja. Esses ultimos passei meus dias no trabalho com meu mp3. A sala eh pequena, entao o nivel de ruido eh alto e eu gosto de silencio para pensar. Inclusive, quando trabalho. Entao, ainda prefiro o Jason Marz gritando no meu ouvido, que uma discussao em bangla.
Mas entre tantas adversidades, posso garantir que encontrei pessoas muito boas aqui e que me ajudam muito. O George e a Maria Fernanda, sao dois colombianos, ele trainee aqui a 6 meses, ela foi trainee a 4 anos atras e ficou sao pessoas que estao comigo desde que cheguei, e me ajudando nesse momento. A Yudith, a alema com quem divido quarto, eh uma pessoa muito especial e carinhosa, e cuidou de mim no dia que recebi a noticia do meu pai, alem de me levar no meu primeiro dia de trabalho, e ajudar a achar o endereco quando o menino da AIESEC nao apareceu. E a Marta, colombiana tambem, que trabalha com a Yudith, e jah morou no Brasil para estudar na USP por 6 meses, compartilha o mesmo senso de limpeza comigo e isso eh muito bom. Eh o sangue latino, sempre.
No domingo, fomos nos 4 na missa numa igreja catolica. A Maria foi a unica que nao pode ir, porque nao conseguiu sair do trabalho. A missa foi em ingles, mas nas oracoes e naquelas partes que toda missa tem, eu preferi orar no meu idioma materno.
Assim, foi mais facil falar com Deus.
ps: espero postar fotos em breve.