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terça-feira, 6 de abril de 2010

15 passos em Dhaka

A COMIDA.
1. Nos restaurantes, a comida nunca vem “toda-junta”. Exemplo, se vamos em 3 pessoas, eles trazem o que esta pronto, e as vezes, quando uma pessoa termina de comer, o pedido da outra nem chegou. Além de comerem muito rapido, o garçom traz a conta logo apos trazer a comida. Sempre sinto que eles estão me expusando do lugar!
2. A comida é apimentada. E quando peço por comida não apimentada, é a mesma coisa que apimentada. O que acontece, é que sem pimenta pra eles não é comida. Bangladesh não tem saladas frescas, a alimentação é baseada em arroz. Muito arroz e pimenta!
3. Quando sai do Brasil, disse a mim mesma que nunca comeria com as mãos. Ainda uso garfo e faça, mas as vezes são tão desnecesarios…

AH, O AMOR.

4. Não se ve casais (homem e mulher) de mãos-dadas nas ruas. O que se ve são homens de mãos dadas, fazendo “carinho” uns nos outros e muitas vezes com os braços envolta da cintura ou do pescoço, um chamego…
5. Ainda existem casamentos arranjados e entre primos é permitido casar, mas não entre irmãos. Mas também existem os casamentos por amor!

A RELIGIÃO.

6. A religiao muçulmana ainda é pra mim, muito dificil de aceitar/conviver. Lembro da minha primeira impressão nas ruas, é de que não havia mulheres caminhando! A mulher aqui tem uma função diferente na instituição da família. O time criativo da agencia que trabalho é de 22 pessoas. E eu sou a unica mulher. Homens e mulheres não dividem o mesmo espaço dentro das mesquitas, e aqui em Dhaka, não é toda mesquita que possui uma sala para mulheres. As vezes, a religiao islã me parece uma religião para homens e confesso que isso me incomoda. Além disso, mulheres estrangeiras, as vezes, não tem o mesmo “respeito” que mulheres daqui. Quando conversei com meus amigos Bengalis sobre o assunto, o que eles me dizem, é que as pessoas tem uma visão digamos, equivocada das mulheres ocidentais, porque os filmes mostram o ocidente como um lugar facil de se ter sexo. (basicamente!) Quando ando nas ruas, as vezes, sinto “olhares” para cima de mim, e como meu bengla não é muito fluente, eu não entendo o que os homens falam. Melhor não entender. Melhor ainda colocar os oculos escuros e seguir em frente.

O CLIMA.

7. A temperature media por aqui agora, é 38 graus. E isso é apenas a primavera… Aqui existem 6 estações no ano. Uma delas é “monções”, que é quando comeca a chover. Quando comecar a chover, talvez, precise de um barco pra voltar para casa, porque as ruas alagam mesmo.

A CIDADE.

8. A pobreza é MUITA. E isso eu ainda não consigo me acostumar. “Pele Branca” aqui, significa que voce é um estrangeiro-rico. Os pedintes me seguem. E podem seguir-lo por mais de 15 minutos. Ontem, num rickshaw, uma criança, de uns 2 anos, correu descalça, ao lado do meu rickshaw por uma distancia grande. Eu não sei quanto em metros, mas garanto que foi uma boa pernada. E para que? Para conseguir atenção e ganhar 5 takas. Outro dia, saindo de uma restaurant, mais ou menos 10 crianças vieram até mim, e seguraram minhas mãos! Gritando “madan, money!” “madan, money!” “madan, money!” meu amigo deu 20 takas e assim elas soltaram minhas mãos.
9. Nunca vi tantas pessoas com lepra nas ruas como aqui.
10. A cidade é suja.
11. Sempre pago mais por rickshaw ou CNG. E se estou com meus amigos Bengalis, os rickshaws pedem mais porque estou ali.
12. Bangladesh não produz energia necessaria para alimentar a cidade. Temos cortes de energia diários, 3 ou 4 vezes por dia. É como um racionamento mesmo, dura entre 1 ou 2 horas. O de ontem, durou 2 horas e eu cozinhei no escuro! Aliás, posso tomar banho, cozinhar e me maquiar sob a luz de velas! E estou ficando boa nisso!

AS PESSOAS.

13. Tenho bons amigos.
Na agencia, o Sabih, ex-AIESECo, é quem sempre me ajuda em tudo que preciso. E a Ayesha, que estudou na Malásia, viajou muito, fala muito bem ingles, é muçulmana e usa veu para cobrir a cabeça. (Ela não usa burca, porque seu rosto sempre esta visivel.)
Shezad, meu chefe. Dificil dizer se ele é meu amigo ou não… mas sei que ele gosta de mim! Ele é muito professional e gusto da maneira que ele lidera os criativos da agencia. Além de que, ele é sempre super acessivel. Se preciso de algo, posso ir a sala dele que ele sempre me dará uma resposta! E além disso, ele sempre se mostra preocupado comigo e com o meu visto!
Na trainee-house. Adoro minhas flatmates! Somos 4 meninas agora. Diana da Servia, (mas que mora na Holanda ha 10 anos), Melissa, dos USA e a Rikae do Japão. Adoro, adoro mesmo elas. Cada uma com suas peculiaridades. Mas acredito que até mesmo eu estou mais flexivel… Eu que sempre tive irmão mais novo em casa, agora tenho uma ideia de como seria ter 3 irmas e dividir tudo! Além do Jorge, o trainee colombiano que não mora com a gente, mas esta sempre lá em casa! Adoro, adoro também! E a Mafer, ex-trainee da AIESEC, que esta aqui a 4 anos já… Qualquer coisa, mas qualquer coisa mesmo que eu precise, e só ligar para ela… Ela foi trainee e sabe como as vezes, as coisas são dificies ou faceis de compartilhar.
Martha, da Colombia e a Judith da Alemanha, minhas flatmates que já não estão mais Dhaka, porque o intercâmbio delas acabou. A Judith é mais que especial. Dividiu quarto e coração comigo! E a Martha, que sempre me entendeu o quão dificil, as vezes, é ser latino em Bangladesh. Com certeza, elas fizeram esses meus 3 meses por aqui, especiais.
No Grupo Latino. Sei que são boas pessoas, e estão sempre dispostas a ajudar os trainees!
Saad, Raju, Adeel e Sana, que são meus amigos Bengali. Mesmo o Adeel sendo do Paquistão. Eles sempre se preocupam com a pimenta da minha comida! :)

O TRABALHO.
14. Eu gusto MUITO do meu estágio! A Ogilvy & Mather é uma agencia internacional, fundada em 1948 que opera em 497 escritorios em 125 paises, e são +/- 16.000 empregados. No Brasil, são 4 escritorios: Rio, São Paulo, Porto Alegre e Brasilia. Eu gosto das pessoas e do ambiente de trabalho. Sou trainee, mas faço o que qualquer designer faz… participo de brainstorming (mais em bangla que en ingles!), tenho meus projetos e todo projeto tem um pouco de desafio! Estou adorando o ambiente criativo da propaganda! Claro, trabalho muito. Sou a trainee que sai antes de casa e a ultima a voltar. Mas sou a trainee com o maior salário! ;)



A VIDA.

15. Depois de pouco mais de 3 meses e um comeco de intercâmbio “conturbado”, eu ainda sinto saudades do Brasil, mas estranhamente, eu gosto de Bangladesh.

ps: mãe, feliz aniversário! AMO VOCE! :)

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Gaye Hould: o casamentos dos outros!

Depois de tantas perguntas sobre o meu casamento, agora eu vou falar do casamento dos outros, que fui aqui em Bangladesh. Nessa epoca do ano, o tempo frio em Dhaka, +/- 17. 15 graus pela noite, faz com que Janeiro seja o mes dos casamentos por aqui. Ou seja, as mulheres podem usar sarees sem derreter de calor.


Se tem luzinhas fora da casa, eh porque eh casamento, nao porque eh Natal.

Ha algumas semanas atras, fui numa cerimonia de pre-casamento, porque o casamento no isla nao eh celebrado apenas em uma parte! Parece polaco que faz festa 3 dias! :)

Fui um Gaye Holud que noivo e noiva participaram, e seria como a terceira cerimonia, pois noivo e noiva comemoram Gaye Hould separadamente antes. Para apenas depois, ter outra festa e enfim casar.

A cerimonia de “Gaye Holud”,significa algo como a cerimonia amarela. Os noivos ficam em um palco, e os convidados oferecem diversos doces aos noivos. Os convidados vao ateh o palco e dao um pouco desses doces na boca dos noivos. Alem disso, os convidados passam uma pasta de alcafrao amarela no rosto dos noivos. O que me explicaram, eh que essa pasta amarela, eh para que a pele dos noivos fique bonita e todos os convidados fazem isso, porque todos querem que os noivos fiquem bonitos e com a pele bonita! E isso, dura horas e horas… os noivos devem cansar de comer doces, mesmo que seja poquinho, e eu fiquei com pena da noiva, porque a maquiagem dela era linda e a pasta de alcafrao soh sujava o rosto dela.



Eu participei dessa tradicao, e fui lah no palco, e sujei o rosto da noiva, o que me deu MUITA doh, porque ela estava linda, e tentei pegar o minimo de doce posivel, porque fazia umas 3 horas que ela estava comendo, e imaginei que ela nao aguentava mais doce nenhum.

Sei tambem, que depois dessa festa, o noivo, passa a primeira noite na casa da noiva, no quarto do irmao! Uma madrugada masculina com o cunhadao!

Depois dessa noite, eh que acontece a festa de casamento. Mas muculmanos nao vao a mesquita para casar, todas as festas que fui, acontecem em saloes de festa. A festa de casamento eh mais uma festa, que eles apenas dizem “sim”, que aceitam o casamento. Ou foi isso que eu entendi.

O salao da festa eh dividido em 2 partes. Numa parte, esta o palco dos noivos, anode as pessoas se sentam para participar, e algumas cadeiras, como um auditorio, para outras pessoas sentarem e assistirem. A outra parte do salao, sao aonde estao as mesas. E agora, minha tia Nane vai ter um treco com essa proxima descricao. Mas aqui eh assim: voce senta, come, levanta. Nada de ficar na mesa enrolando, nao existe a sua mesa na festa… Depois que voce jantou, vem outras pessoas, sentam, comem, levantam…

Nada de lembrancinhas! Tentei levar o vasinho da mesa para casa, mas o garcom nao deixou! Entao, tirei as flores, e fui para casa apenas com os lirios brancos!

Preciso mencionar que nao tem bebida? Agua, refrigerante e “lassie”, que eh uma bebida a base de yogurte, tem a versao doce e a versao salgada-apimentada. A versao doce eu gosto!

A Gaye Holud eh a festa mais animada, eh a festa que as pessoas dancam e se divertem… A festa de casamento eh mais um jantar, que os noivos ficam no palco e as pessoas cumprimentam o casal.

Informacao AIESECa a seguir: eh tao animada, que numa das festas com muitos AIESECos dancei Tunak-Tunak, o mais conhecido roll-call da AIESEC! Alemanha, Canada, Colombia, Brazil e Bengalis dancando Tunak-Tunak num casamento muculmano em Dhaka… precisava ver soh o sucesso que fizemos, cada passo era um flash MESMO! :)

Para ver todas as fotos, esse eh o link: http://picasaweb.google.com/rafaelagro/GayeHolud02?authkey=Gv1sRgCNuO4u7AvpuBwwE#

sábado, 30 de janeiro de 2010

sobre drogas & rock'n roll.

Apresentando mais um episódio-diálogo interessantes do meu dia-a-dia, essa foi a minha conversa, com o redator da agência:

Colega: Você bebe Rafa?
Rafa: Sim, quando vou a uma festa, estou com meus amigos…
Colega: Hum, ok. Mas beber nesse pais é ilegal.
Rafa: HUM, OKEY!
Rafa: (em pensamento) Para você, não para mim!

Não se encontra bebidas alcoolicas para vender no mercado, afinal, muçulmanos não bebem, não tem habitos viciosos, pois acreditam que esse comportamento so trás o mal. “Tudo o que intoxica seja pouco ou muito é Harám (proibido), pois o pouco leva a pessoa para o muito e assim se vai viciando. Longe de mim querer “acusar” o povo Bengali de hipocrisia, mas a conversa que se seguiu com meu colega de trabalho foi: “É, mas eu bebo as vezes…”. Também acredito fielmente que existam muçulmanos que não bebem, e que seguem as leis islã a risca e acreditam no ideal. E eu respeito isso! O que acredito, é na influência do Ocidente sobre a Ásia e seus hábitos. Por mais que Bangladesh seja um país muçulmano, recebe informações dos costumes do outro lado do mundo. O que acontece ainda, no meu ponto de vista, é que o islã tem padrões tão fixos e rígidos a seguir, que acaba por incitar os muçulmanos, principalmente os jovens, a descobrir e querer experimentar esse lado “proibido”.

Aos estrangeiros é permitido o consume de bebidas alcoolicas. Existem lojas específicas para que estrangeiros possam comprar bebidas, apresentando o passaporte. O que aconteceu com nós, trainees, é que moramos em um apartamento alugado, que o dono mora no segundo andar e nós no quarto. Numa reunião com a AIESEC para tratar de assuntos relacionamentos a Trainee House, o senhor que é dono do apartamento, nos acusou de no último mês, fazermos uma festa com bebidas alcoolicas e convidar amigos Bengali para beber aqui. E o povo Bengali não pode beber! Ou seja, nosso apartamento, seria como um refúgio alcoolico!!! (Não, não fizemos festa nenhuma! Não mãe, minha casa não é um balada ilegal refúgio alcoolico bangla). O que eu quero tratar com esse fato, é que para mim, tamanha preocupação com os jovens Bengali e sua relação com a bebida, acaba por incentivar o hábito!

Eu, seguramente, posso estar errada. Mas sempre acreditei que pode existir um equilíbrio. Proibir, como é aqui, talvez seja uma solução de evitar esse desequilíbrio entre “diversão” ao beber vinho com seus amigos ou se tornar um alcoolatra.

Balada por aqui? Nem pensar. Acho que não existe. Na verdade, não sei, nunca vi e nao ouvi falar. As festa que sei que existem por aqui, é quando os estrangeiros se reunem em alguns clube. Quinta-feira passada, teve uma festa no Clube Alemão. A frequência dessas festas varia, talvez 1 a cada 10 dias… (?) realmente não sei. Mas balada/barzinho/festa que nem no Brasil, definitivamente, não tem! Woods, I miss u. 

OKEY, eles não bebem, mas fumam. E como fumam! Não fumo e não tenho idéia de quantos cigarros por dia é a média diária por aqui, mas deve ser alta. E fumam em qualquer lugar, ambientes fechado, inclusive. Entre os trainees, pelo menos, ninguém tem o hábito diário de fumar.

Seguindo com série “Perguntas Bengali Bizarras”, esse foi o diálogo com meu chefe dias atrás, durante uma reunião (numa sala fechada):

Chefe: Se importa se eu fumar Rafa?
Rafa: Eu prefiro que não, pois estamos num ambiente fechado.
Chefe: Todo mundo em Propaganda fuma, você precisa se acostumar!
Rafa: (em pensamento) Porque é que pergunta oh criatura?

E meu chefe acendeu um cigarro, numa sala fechada, com mais 5 pessoas e continuou a reunião…

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

meu futuro-casamento!

As meninas que moram comigo ja tinham me avisado que por aqui, é "necessário" ter namorado! As pessoas tem uma fixação MESMO por isso, (para mim é o que parece!), e não é a toa, estou vivendo num pais muçulmano, e a instituição do casamento é MUITO importante por aqui!

No meu primeiro dia no escritório, esse foi o meu primeiro diálogo com meu chefe:

Chefe: Como se diz seu nome completo?
Rafa: Ra-fa-e-la-Gro-xé-vis-qui.
Chefe: Voce tem namorado?
Rafa: Sim!
Chefe: Quando você vai se casar?
Rafa: (Panico!)

Disse que me casaria quando voltasse pro Brasil, mas acho que demorei demais para pensar na resposta! Além disso, me fazem tantas perguntas sobre meu futuro-marido, que acho que já inventei coisa demais e tenho que pensar para nao cair em contradição! Querem ver foto, querem saber o que ele faz da vida, se trabalhava comigo, onde mora, quantos anos tem, se fuma, se bebe, se é mais alto que eu, se é loiro, moreno, careca, cabeludo, rei, ladrão, soltado ou capitão. Ou se é o mocinho bonito do meu coração!

E tem mais, meu chefe (que merece um post dedicado a ele, de tão peculiar que é! E também, que ainda esta tão difícil de "adaptar"...) disse que um dia, vai ligar pro meu namorado. Ele quer que eu fique aqui por 5 anos (aham, tah!), se eu for boa o suficiente para a agência, (juro, palavras dele!) e disse que vai ligar pro meu namorado para pedir permissão!

Então meninos, se preparem! A qualquer momento, meu chefe pode bater na sua porta, ou aparecer no seu celular!